Qualidade Relacional no Atendimento Judicial Virtual: Limites da Padronização na Transformação Digital
Resumo
A transformação digital no Judiciário brasileiro tem se pautado em iniciativas de informatização processual e canais virtuais, como o Processo Judicial Eletrônico e o programa Justiça 4.0, impactando fluxos de trabalho e prazos. Todavia, a literatura sobre governo digital indica que a digitalização exige reconfigurações nas práticas organizacionais e na interação com usuários que transcendem a incorporação tecnológica. Este artigo analisa os limites da padronização no atendimento judicial virtual, sob a tensão entre eficiência administrativa e qualidade do serviço. Trata-se de estudo teórico-analítico, fundamentado na literatura de transformação digital no setor público e em marcos normativos do Judiciário. Sustenta-se que a padronização dos fluxos privilegia indicadores operacionais, como tempo e volume, sem incorporar satisfatoriamente dimensões de clareza e adequação das respostas. Essa limitação se intensifica em contextos que exigem orientação jurídica e interpretação situacional, nos quais o atendimento não se reduz à transmissão de informações. Como contribuição, propõe-se a noção de qualidade relacional, entendida como a capacidade institucional de produzir respostas compreensíveis e ajustadas ao contexto das demandas. Conclui-se que a efetividade do atendimento virtual requer que a eficiência operacional seja complementada pela qualidade relacional, assegurando respostas institucionais adequadas às necessidades dos usuários.
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